Esta noite foi uma noite como muitas outras, durante o verão. Vimos dois filmes em família. Sim, dois. Naturalmente, por duas simples razões: somos excessivos e um filme acaba muito antes do sono chegar. Começamos com uma comédia de 2014: Alexander and the Terrible, Horrible, No Good, Very Bad Day. Não posso dizer se é ou não uma boa adaptação do livro de Judith Viorst, uma vez que nunca o li. Mas posso dizer que gostei do filme e que me ri bastante.
O segundo filme foi outra adaptação de outro livro famoso, este muito mais conhecido por cá: O Jardim Secreto, de Frances Hodgson Burnett. Tratou-se do filme de 1993, de Agnieszka Holland, que é lindíssimo. Eu também gostei muito do filme dela de 2017, Pokot. Mas esse não é nada adequado para ver com uma criança de 11 anos. Pelo contrário, Jardim Secreto é perfeito para terminar uma noite de cinema em casa e em família, que se quer bela e mágica. :)
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sábado, julho 04, 2020
sexta-feira, março 08, 2019
O sabor da cereja
O Sabor da Cereja, de Kiarostami, 1997.
Foi um filme que me marcou bastante, há muitos anos (e do qual estou a falar de memória), pela temática da depressão profunda. Apresenta-nos um homem completamente desligado. Um homem que deixou de sentir a natureza, a passagem das estações, a própria vida... O filme começa, então, por nos mostrar esse homem num carro, às voltas numa estrada de terra batida, numa paisagem árida.
O que vemos é sempre através da nossa visão muito particular, é tudo uma questão de perspectiva e, nesse contexto, eu vejo um homem às voltas num deserto. Que procura? Na verdade, procura muitas coisas...
SPOILER ALERT!
Há dois momentos no filme que quero relembrar: o instante em que nos contam a história do suicida que se afasta de casa de madrugada, pára junto a uma árvore e sobe para prender a corda com que irá enforcar-se. Ao prender a corda, sente nas mãos algo macio, com um cheiro intenso, apercebe-se que é fruta e leva-a à boca: cerejas (ou amoras). O homem deixa-se estar um bocadinho, a saborear as cerejas. Entretanto, o sol começa a nascer. E é esse o momento de revelação, o momento em que os sentidos que pareciam estar entorpecidos, voltam em pleno. Com o presente, com o agora, ele acorda.
Não foi o mundo que se modificou, foi a visão dele do mundo... Esse conto mostra-nos que é sempre a vida que se revela. Aquilo que nos salva e que nos devolve a nós próprios é algo que sempre esteve lá, algo que nunca perdemos verdadeiramente: a própria vida, feita de pequeninos instantes.
O segundo momento do filme que quero relembrar é o fim. O filme tem um final verdadeiramente assombroso e, na minha opinião, perfeito. O filme acaba precisamente mostrando-nos imagens da equipa de realização, do actor a confraternizar... E não será um pouco assim também na vida? Não estaremos de certa forma a representar também um papel, do qual muitas vezes já não sabemos sair é certo, mas ainda assim só um papel.
Há uma interpretação de mecânica quântica, da qual eu gosto particularmente: a teoria de muitos mundos, de Hugh Everett. De certa forma, seria um pouco como se a realidade fosse uma sobreposição quântica de infinitos universos paralelos não comunicantes. Nesta formulação da realidade, cada vez que seguimos numa determinada direção, é criado um universo paralelo onde seguimos na direção oposta. Nesse contexto, ser um santo ou um pecador teria a mesma importância, isto é, nenhuma. Bem, eu não acredito verdadeiramente nisto, mas gosto de me lembrar, de vez em quando, que os papeis que desempenhamos, bons ou maus, podem não passar disso mesmo: de papéis.
Talvez só estejamos verdadeiramente vivos quando estamos realmente no presente, sem passados e sem futuros. Sem máscaras e sem personagens, a sós com algo que só encontramos num curto instante: agora.
Bem, mesmo sendo um filme sobre um suicida, todo feito à volta da vontade dele de se matar, há neste filme algo mais, uma espécie de beliscão, que nos acorda para a vida.
Foi um filme que me marcou bastante, há muitos anos (e do qual estou a falar de memória), pela temática da depressão profunda. Apresenta-nos um homem completamente desligado. Um homem que deixou de sentir a natureza, a passagem das estações, a própria vida... O filme começa, então, por nos mostrar esse homem num carro, às voltas numa estrada de terra batida, numa paisagem árida.
O que vemos é sempre através da nossa visão muito particular, é tudo uma questão de perspectiva e, nesse contexto, eu vejo um homem às voltas num deserto. Que procura? Na verdade, procura muitas coisas...
SPOILER ALERT!
Há dois momentos no filme que quero relembrar: o instante em que nos contam a história do suicida que se afasta de casa de madrugada, pára junto a uma árvore e sobe para prender a corda com que irá enforcar-se. Ao prender a corda, sente nas mãos algo macio, com um cheiro intenso, apercebe-se que é fruta e leva-a à boca: cerejas (ou amoras). O homem deixa-se estar um bocadinho, a saborear as cerejas. Entretanto, o sol começa a nascer. E é esse o momento de revelação, o momento em que os sentidos que pareciam estar entorpecidos, voltam em pleno. Com o presente, com o agora, ele acorda.
Não foi o mundo que se modificou, foi a visão dele do mundo... Esse conto mostra-nos que é sempre a vida que se revela. Aquilo que nos salva e que nos devolve a nós próprios é algo que sempre esteve lá, algo que nunca perdemos verdadeiramente: a própria vida, feita de pequeninos instantes.
O segundo momento do filme que quero relembrar é o fim. O filme tem um final verdadeiramente assombroso e, na minha opinião, perfeito. O filme acaba precisamente mostrando-nos imagens da equipa de realização, do actor a confraternizar... E não será um pouco assim também na vida? Não estaremos de certa forma a representar também um papel, do qual muitas vezes já não sabemos sair é certo, mas ainda assim só um papel.
Há uma interpretação de mecânica quântica, da qual eu gosto particularmente: a teoria de muitos mundos, de Hugh Everett. De certa forma, seria um pouco como se a realidade fosse uma sobreposição quântica de infinitos universos paralelos não comunicantes. Nesta formulação da realidade, cada vez que seguimos numa determinada direção, é criado um universo paralelo onde seguimos na direção oposta. Nesse contexto, ser um santo ou um pecador teria a mesma importância, isto é, nenhuma. Bem, eu não acredito verdadeiramente nisto, mas gosto de me lembrar, de vez em quando, que os papeis que desempenhamos, bons ou maus, podem não passar disso mesmo: de papéis.
Talvez só estejamos verdadeiramente vivos quando estamos realmente no presente, sem passados e sem futuros. Sem máscaras e sem personagens, a sós com algo que só encontramos num curto instante: agora.
Bem, mesmo sendo um filme sobre um suicida, todo feito à volta da vontade dele de se matar, há neste filme algo mais, uma espécie de beliscão, que nos acorda para a vida.
quinta-feira, fevereiro 28, 2019
Filmes de John Ford
A propósito de cinema e de John Ford (um curto comentário, que escrevi noutro lado).
Ford, um dos primeiros realizadores que me fizeram apaixonar pelo cinema. :)
Bem, talvez algumas pessoas precisem de mais razões para ver Ford. A essas pessoas, eu gostaria de dizer que os filmes dele são de uma beleza estonteante, profundamente visuais, como se Ford fosse, antes de mais, um pintor, um grande pintor.
Não sei se quero escolher um favorito, mas a The Sun Shines Bright, How Green Was My Valley e The Man Who Shot Liberty Valance, acrescentaria ainda Rio Grande, The Grapes of Wrath, My Darling Clementine e How the West Was Won. Sendo que estes dois últimos foram filmados no mítico Monument Valley, algo que nos reporta de imediato ao horizonte Fordiano. Contudo, seguindo a ambiguidade característica de Ford, também o próprio conceito de horizonte Fordiano, para lá do imaginário associado ao Monument Valley, refere ainda um horizonte bem abaixo ou bem acima no enquadramento, retirando-nos da monotonia do horizonte sempre no meio.
A aparente simplicidade cénica, o diálogo reduzido quase ao essencial e as intensas cenas silenciosas, tudo se conjuga para aquilo em que Ford é verdadeiramente mestre: a autenticidade.
Para terminar, poderíamos dizer que Ford nos dá cenários, diálogos, filmes que, numa primeira vista, quase parecem simples ou até rústicos, mas que são profundos e complexos, a diversos níveis.
Sem dúvida, uma obra a (re)visitar. :)
Ford, um dos primeiros realizadores que me fizeram apaixonar pelo cinema. :)
Bem, talvez algumas pessoas precisem de mais razões para ver Ford. A essas pessoas, eu gostaria de dizer que os filmes dele são de uma beleza estonteante, profundamente visuais, como se Ford fosse, antes de mais, um pintor, um grande pintor.
Não sei se quero escolher um favorito, mas a The Sun Shines Bright, How Green Was My Valley e The Man Who Shot Liberty Valance, acrescentaria ainda Rio Grande, The Grapes of Wrath, My Darling Clementine e How the West Was Won. Sendo que estes dois últimos foram filmados no mítico Monument Valley, algo que nos reporta de imediato ao horizonte Fordiano. Contudo, seguindo a ambiguidade característica de Ford, também o próprio conceito de horizonte Fordiano, para lá do imaginário associado ao Monument Valley, refere ainda um horizonte bem abaixo ou bem acima no enquadramento, retirando-nos da monotonia do horizonte sempre no meio.
A aparente simplicidade cénica, o diálogo reduzido quase ao essencial e as intensas cenas silenciosas, tudo se conjuga para aquilo em que Ford é verdadeiramente mestre: a autenticidade.
Para terminar, poderíamos dizer que Ford nos dá cenários, diálogos, filmes que, numa primeira vista, quase parecem simples ou até rústicos, mas que são profundos e complexos, a diversos níveis.
Sem dúvida, uma obra a (re)visitar. :)
Sábado filhoeiro
O sábado de carnaval é, segundo a tradição, o dia das filhoses. Bem, eu não estou a pensar fazer só filhoses, também haverá arroz-doce e uns quantos petiscos, bem caseirinhos e tradicionais. E nada melhor do que um piquenique no sábado filhoeiro, certo? A menos que chova e parece que sim, que haverá chuva. Assim, talvez não seja má ideia comer as filhoses e os petisquinhos em casa e, pelo meio, ver uns filmes. ;)
Pensei em Les beaux jours d'Aranjuez, sobretudo por ser do Wim Wenders, mas admito que a pontuação me deixou um pouco assustada. E não quero estragar o meu sábado filhoeiro. :(
Bem, era giro rever o meu filme favorito do Greenaway: The Cook, the Thief, His Wife & Her Lover, mas não creio que a sugestão seja aceite. Hmm, Como Água para Chocolate também seria uma opção mais ou menos adequada, não se desse o caso de eu querer algo um pouco mais dark. Qualquer coisa que me diga (como a canção que estou a ouvir agora mesmo):
come with me now
I'm gonna take you down
Hmm, para além disso, seria fantástico se tivesse uma relação qualquer com tradição e petiscos, filhoses se possível. ;)
Então, que filmes sugerem para o sábado filhoeiro? De preferência também um pouco herméticos, como a quadra transcrita por Ernesto Veiga de Oliveira:
Para jogar o Entrudo
Ambos teremos ventura
Tu dando-me as filhoses
Eu dando-te a fadura.
Ahahahaha… como é que é possível não gostar de manjares cerimoniais (a expressão é também do Veiga de Oliveira)?
Manjares cerimoniais e cinema, não? ;)
Braga, 28 de fevereiro de 2019.
p.s. Acabei de me lembrar de Babette's Feast, de Gabriel Axel. Um banquete ostensivo e decadente, num mundo austero e sombrio, que parece fazer parte do universo de Bergman… :)
Lembrei-me também de My Dinner with Andre, de Louis Malle, que é um filme que eu adoro. Contudo, ainda que o filme seja uma longa conversa entre dois amigos, na mesa de um restaurante, durante um jantar, a comida não parece ter nenhuma importância. ;)
Pensei em Les beaux jours d'Aranjuez, sobretudo por ser do Wim Wenders, mas admito que a pontuação me deixou um pouco assustada. E não quero estragar o meu sábado filhoeiro. :(
Bem, era giro rever o meu filme favorito do Greenaway: The Cook, the Thief, His Wife & Her Lover, mas não creio que a sugestão seja aceite. Hmm, Como Água para Chocolate também seria uma opção mais ou menos adequada, não se desse o caso de eu querer algo um pouco mais dark. Qualquer coisa que me diga (como a canção que estou a ouvir agora mesmo):
come with me now
I'm gonna take you down
Hmm, para além disso, seria fantástico se tivesse uma relação qualquer com tradição e petiscos, filhoses se possível. ;)
Então, que filmes sugerem para o sábado filhoeiro? De preferência também um pouco herméticos, como a quadra transcrita por Ernesto Veiga de Oliveira:
Para jogar o Entrudo
Ambos teremos ventura
Tu dando-me as filhoses
Eu dando-te a fadura.
Ahahahaha… como é que é possível não gostar de manjares cerimoniais (a expressão é também do Veiga de Oliveira)?
Manjares cerimoniais e cinema, não? ;)
Braga, 28 de fevereiro de 2019.
p.s. Acabei de me lembrar de Babette's Feast, de Gabriel Axel. Um banquete ostensivo e decadente, num mundo austero e sombrio, que parece fazer parte do universo de Bergman… :)
Lembrei-me também de My Dinner with Andre, de Louis Malle, que é um filme que eu adoro. Contudo, ainda que o filme seja uma longa conversa entre dois amigos, na mesa de um restaurante, durante um jantar, a comida não parece ter nenhuma importância. ;)
sexta-feira, fevereiro 01, 2019
O que nos faz felizes...
Hoje, após o pôr-do-sol, começaremos a celebrar a nossa Festa da Promessa de Primavera, uma festa da luz, em que acendemos imensas velas, para dar força à luz do sol e aos dias que começam a crescer; para dar força aos nossos sonhos. Será uma noite para trazer de volta o nosso eu criança e alimentá-lo com música, poesia, brincadeiras e sobremesas à base de leite. :)
Certamente, terminaremos a noite com um filme em família, só ainda não sei qual será. Possivelmente, iremos rever A Canção do Mar, de Tomm Moore, 2014, ou talvez Kubo e as Duas Cordas, de Travis Knight, 2016. Eu simplesmente não sei dizer o quanto gostei destes filmes. São ambos incrivelmente belos, com mensagens profundas e maravilhosas. São filmes que nos transformam, que fazem de nós pessoas melhores e mais felizes. Muito mais felizes!!! :)
Desejo-te, então, uma bela e mágica noite de início de Fevereiro! :)
Hmm, deixa-me só dizer-te outra coisa: tudo o que precisamos para reencontrar a beleza e a magia, nesta ou noutra noite, é um olhar inocente. Hmm, eu sinto-me mais ou menos perto desse tipo de visão. Desde o final de outubro que faço um esforço consciente, para me libertar do excesso de bagagem e das minhas máscaras. Agora o ciclo é outro e é tempo de sonhar, de acreditar e de criar. E eu gosto mesmo muito de seguir os ciclos e a roda do ano! :)
(Foto by The Guardian of the Woods)
Certamente, terminaremos a noite com um filme em família, só ainda não sei qual será. Possivelmente, iremos rever A Canção do Mar, de Tomm Moore, 2014, ou talvez Kubo e as Duas Cordas, de Travis Knight, 2016. Eu simplesmente não sei dizer o quanto gostei destes filmes. São ambos incrivelmente belos, com mensagens profundas e maravilhosas. São filmes que nos transformam, que fazem de nós pessoas melhores e mais felizes. Muito mais felizes!!! :)
Desejo-te, então, uma bela e mágica noite de início de Fevereiro! :)
Hmm, deixa-me só dizer-te outra coisa: tudo o que precisamos para reencontrar a beleza e a magia, nesta ou noutra noite, é um olhar inocente. Hmm, eu sinto-me mais ou menos perto desse tipo de visão. Desde o final de outubro que faço um esforço consciente, para me libertar do excesso de bagagem e das minhas máscaras. Agora o ciclo é outro e é tempo de sonhar, de acreditar e de criar. E eu gosto mesmo muito de seguir os ciclos e a roda do ano! :)
(Foto by The Guardian of the Woods)
quinta-feira, setembro 27, 2018
Mais um dia cheio de sol
Hoje, é um belo dia, cheio de sol, que a voz deliciosa de Hindi Zahra, em Stand Up, deixa ainda mais solarengo.
Standing on your two knees baby, tell me what do you need
Oh, Stand up on your two feet baby, that's how its got to be...
Hmm, será que te posso ainda dizer que esta semana vimos a comédia de Shane Black, The Nice Guys, de 2016.
– Shane Black... não estou a ver quem é.
– Fez Lethal Weapon I e II, nos anos oitenta. The Last Boy Scout, nos anos noventa, com o Bruce Willis.
– Hmm... não sei se quero ver uma comédia dele. E como é que sabes assim tanto acerca desse senhor?
– Estou a ver no IMDb.
Bem, Russell Crowe e Ryan Gosling arrasam, nesta comédia que merece bem o nosso tempo, que é inteligente e divertida, mesmo muito interessante. :)
Hmm... mais alguma coisa? Ah! Bom dia! :D
Standing on your two knees baby, tell me what do you need
Oh, Stand up on your two feet baby, that's how its got to be...
Hmm, será que te posso ainda dizer que esta semana vimos a comédia de Shane Black, The Nice Guys, de 2016.
– Shane Black... não estou a ver quem é.
– Fez Lethal Weapon I e II, nos anos oitenta. The Last Boy Scout, nos anos noventa, com o Bruce Willis.
– Hmm... não sei se quero ver uma comédia dele. E como é que sabes assim tanto acerca desse senhor?
– Estou a ver no IMDb.
Bem, Russell Crowe e Ryan Gosling arrasam, nesta comédia que merece bem o nosso tempo, que é inteligente e divertida, mesmo muito interessante. :)
Hmm... mais alguma coisa? Ah! Bom dia! :D
quarta-feira, setembro 26, 2018
Bolero, de Ravel
Ando com insónias. :(
Talvez o Bolero, de Ravel, me ajude a adormecer.
Hmm, como alguém diz nos comentários deste vídeo:
«You can't compose a song that has the same melody playing for over fifteen minutes and make it sound good.»
Maurice Ravel: Hold my beer.
:P
Esta música é incrível, faz-me pensar em tudo o que é eterno e infinito. :)
Zbigniew Rybczynski, um cineasta russo, fez um filme - The Orchestra, 1990 - baseado nesta música, onde coloca as personagens a subirem ao céu, através de uma escada sem fim.
Por acaso, as personagens são os protagonistas da revolução soviética, que ascendem ao céu, quais anjos e querubins. ;)
É tudo, deixo-te com esse belo pensamento e esta música maravilhosa, agora vou dormir. :)
Link: Maurice Ravel - Bolero
Talvez o Bolero, de Ravel, me ajude a adormecer.
Hmm, como alguém diz nos comentários deste vídeo:
«You can't compose a song that has the same melody playing for over fifteen minutes and make it sound good.»
Maurice Ravel: Hold my beer.
:P
Esta música é incrível, faz-me pensar em tudo o que é eterno e infinito. :)
Zbigniew Rybczynski, um cineasta russo, fez um filme - The Orchestra, 1990 - baseado nesta música, onde coloca as personagens a subirem ao céu, através de uma escada sem fim.
Por acaso, as personagens são os protagonistas da revolução soviética, que ascendem ao céu, quais anjos e querubins. ;)
É tudo, deixo-te com esse belo pensamento e esta música maravilhosa, agora vou dormir. :)
Link: Maurice Ravel - Bolero
quarta-feira, agosto 29, 2018
10 - 10 dias, 10 filmes
10/10
Bem, tenho que admitir que só com muito esforço é que impeço o meu louco sentido de humor de terminar este desafio com o filme: I Am Not a Witch, do realizador Rungano Nyoni, 2017. Não o faço porque não era justo, eu incluía-o sobretudo por não resistir à piada pessoal, inerente ao título, e o filme é um drama intenso, que nos leva a muitas e importantes questões.
De resto, eu quero terminar com uma comédia e, por mais voltas que a minha mente dê, sei bem que acabarei por escolher simplesmente a melhor comédia de sempre. Mas isso não impedirá as voltinhas. ;)
Pensei em qualquer coisa recente, mas raras são as comédias recentes que passam de sofríveis. A menos que se trate de comédias românticas, essas, por norma, estão muito abaixo de sofríveis. Uma vez, umas amigas convidaram-me para uma maratona de comédias românticas. Só de me lembrar disso, ainda sinto arrepios… e eu nem sequer fui!
Hmm, filmes recentes, não era? Isso lembra-me o dia, há vários anos, em que encontrei aquele que agora é o meu marido, num chat qualquer. Perguntou-me se eu gostava de cinema. Eu respondi que sim e, de imediato, comecei com Murnau e continuei com Fritz Lang, o que o levou a perguntar que idade é que eu tinha, afinal.
Bem, se escolhesse uma comédia recente, ou seja, deste século, seria possivelmente de Wes Anderson: The Grand Budapest Hotel, 2014, ou The Royal Tenenbaums, 2001. Também gostei muito de algumas de Alain Chabat, por exemplo: La Personne aux Deux Personnes, 2008. Mas, como já referi, escolho simplesmente a melhor comédia de sempre e pronto. :)
Monty Python and the Holy Grail, dir. Terry Gilliam,Terry Jones, 1975.
Os Monty Python são absolutamente intemporais. E este filme é uma obra-prima, cujas cenas podem ser profundamente conhecidas e, ainda assim, mais do que continuarem a ser divertidas, continuam a ter o encanto da primeira vez.
Creio que temos que começar também a celebrar o Dia de Monty Python, cá em casa. O problema é que esse dia celebra-se a 10 de maio e nós já temos o início de maio sobrelotado de festas, mas como o que tem que ser tem muita força… ;)
29 de agosto de 2018.
Bem, tenho que admitir que só com muito esforço é que impeço o meu louco sentido de humor de terminar este desafio com o filme: I Am Not a Witch, do realizador Rungano Nyoni, 2017. Não o faço porque não era justo, eu incluía-o sobretudo por não resistir à piada pessoal, inerente ao título, e o filme é um drama intenso, que nos leva a muitas e importantes questões.
De resto, eu quero terminar com uma comédia e, por mais voltas que a minha mente dê, sei bem que acabarei por escolher simplesmente a melhor comédia de sempre. Mas isso não impedirá as voltinhas. ;)
Pensei em qualquer coisa recente, mas raras são as comédias recentes que passam de sofríveis. A menos que se trate de comédias românticas, essas, por norma, estão muito abaixo de sofríveis. Uma vez, umas amigas convidaram-me para uma maratona de comédias românticas. Só de me lembrar disso, ainda sinto arrepios… e eu nem sequer fui!
Hmm, filmes recentes, não era? Isso lembra-me o dia, há vários anos, em que encontrei aquele que agora é o meu marido, num chat qualquer. Perguntou-me se eu gostava de cinema. Eu respondi que sim e, de imediato, comecei com Murnau e continuei com Fritz Lang, o que o levou a perguntar que idade é que eu tinha, afinal.
Bem, se escolhesse uma comédia recente, ou seja, deste século, seria possivelmente de Wes Anderson: The Grand Budapest Hotel, 2014, ou The Royal Tenenbaums, 2001. Também gostei muito de algumas de Alain Chabat, por exemplo: La Personne aux Deux Personnes, 2008. Mas, como já referi, escolho simplesmente a melhor comédia de sempre e pronto. :)
Monty Python and the Holy Grail, dir. Terry Gilliam,Terry Jones, 1975.
Os Monty Python são absolutamente intemporais. E este filme é uma obra-prima, cujas cenas podem ser profundamente conhecidas e, ainda assim, mais do que continuarem a ser divertidas, continuam a ter o encanto da primeira vez.
Creio que temos que começar também a celebrar o Dia de Monty Python, cá em casa. O problema é que esse dia celebra-se a 10 de maio e nós já temos o início de maio sobrelotado de festas, mas como o que tem que ser tem muita força… ;)
29 de agosto de 2018.
09 - 10 dias, 10 filmes
09/10
2001: A Space Odyssey, dir. Stanley Kubrick, 1968.
O argumento foi criado por Kubrick em parceria com Arthur C. Clarke, que desenvolveu algumas das ideias do argumento e escreveu um livro com o mesmo nome, publicado quando o filme saiu. Assim, quem quiser uma interpretação, leia o livro do Clarke, tendo em atenção que este filme não é uma adaptação de um livro.
Kubrick quis contar-nos esta história sobretudo através de imagens e fê-lo magistralmente. Eu gosto mais da versão gráfica do Kubrick, do que do livro do Clarke.
Neste filme, Kubrick deu-me um novo mundo, um novo caminho que me desafia, que me afasta completamente do universo familiar onde eu me comprometo e desisto, reacendendo uma pequena centelha que me ajuda a abraçar os desafios da minha vida, a aceitar o que não é familiar ou habitual.
Bem, certas pessoas precisam de muito mais energia para serem pessoas normais, do que precisariam para ser extraordinárias. É um bom pensamento, não é? Se calhar, por ser do Camus. ;)
Este é um dos filmes da minha vida, mas não o referi por esse motivo. Tal como tinha dito antes, seria o acaso que me guiaria. Quis o acaso que, ontem à noite, eu voltasse a ouvir uma música que adoro, cuja letra refere precisamente as frases motivacionais do meu parágrafo anterior e que, na minha mente louca, trazem imediatamente Kubrick à minha memória.
Assim, quase a acabar este desafio dos 10 dias/10 filmes, deixo esta pequena referência a um filme absolutamente extraordinário, que comemora este ano o 50º aniversário do seu lançamento.
28 de agosto de 2018.
2001: A Space Odyssey, dir. Stanley Kubrick, 1968.
O argumento foi criado por Kubrick em parceria com Arthur C. Clarke, que desenvolveu algumas das ideias do argumento e escreveu um livro com o mesmo nome, publicado quando o filme saiu. Assim, quem quiser uma interpretação, leia o livro do Clarke, tendo em atenção que este filme não é uma adaptação de um livro.
Kubrick quis contar-nos esta história sobretudo através de imagens e fê-lo magistralmente. Eu gosto mais da versão gráfica do Kubrick, do que do livro do Clarke.
Neste filme, Kubrick deu-me um novo mundo, um novo caminho que me desafia, que me afasta completamente do universo familiar onde eu me comprometo e desisto, reacendendo uma pequena centelha que me ajuda a abraçar os desafios da minha vida, a aceitar o que não é familiar ou habitual.
Bem, certas pessoas precisam de muito mais energia para serem pessoas normais, do que precisariam para ser extraordinárias. É um bom pensamento, não é? Se calhar, por ser do Camus. ;)
Este é um dos filmes da minha vida, mas não o referi por esse motivo. Tal como tinha dito antes, seria o acaso que me guiaria. Quis o acaso que, ontem à noite, eu voltasse a ouvir uma música que adoro, cuja letra refere precisamente as frases motivacionais do meu parágrafo anterior e que, na minha mente louca, trazem imediatamente Kubrick à minha memória.
Assim, quase a acabar este desafio dos 10 dias/10 filmes, deixo esta pequena referência a um filme absolutamente extraordinário, que comemora este ano o 50º aniversário do seu lançamento.
28 de agosto de 2018.
08 - 10 dias, 10 filmes
08/10
Hoje, chegou pelo correio uma encomenda maravilhosa que trazia, entre outras coisas, incluindo filmes, um daqueles cartões que vemos na entrada dos cinemas, com super-heróis ou assim. O meu filho era, com sempre, o destinatário. Bem, se fosse Batman, Iron Man, Captain America, já para não falar de imensas personagens do Star Wars, tinha sido uma loucura. Mas não, não era nenhum deles. Era um homem, nem novo nem velho, com um ar rebelde, um olhar penetrante e um meio sorriso, com as mãos fechadas, apoiadas na cintura, numa atitude desafiadora. Eu sorri e só não posso dizer que gostei dele, de imediato, porque não era nenhum desconhecido: eu conhecia muito bem aquela fotografia, que era de alguém de quem eu gosto há muito tempo.
– Quem é? – quis saber o meu filho.
– É um super-herói. – Continuei, perante a estranheza do meu filho, – sabes que nem todos os super-heróis são como o Batman, não? Alguns não têm super poderes, mas fazem-nos pensar e isso é muito importante. – Não o fiz, mas tive vontade de acrescentar que também precisávamos que nos ensinassem a estar a sós e aceitar o silêncio, a angústia e a escuridão.
Mas, admito, não deixei de ficar contente com o facto do cartão do Ingmar Bergman não ser em tamanho natural, isso iria certamente afastar as visitas… ;)
Bem, já se passou muito tempo desde a última vez que vi um filme dele. Mas fico muito feliz que alguém, na Suécia, tivesse decidido incluir o meu filho e, por acréscimo, a mim e ao pai dele, nas celebrações do centenário do nascimento do Bergman. Assim, antes do ano acabar, iremos rever uns quantos dos seus filmes. Naturalmente, o miúdo não. Sei bem que ele é ainda muito novo para a filmografia de Bergman.
Contudo, coloquei um desafio ao meu filho, que só tem nove anos e nunca ouviu falar de Bergman: disse-lhe para olhar para a imagem daquele realizador e, depois, na parte de trás do envelope, imaginar e desenhar uma das personagens dos filmes dele. O meu filho foi buscar os marcadores e eu não consegui deixar de sorrir, imaginando a intensidade da cor que aí viria. Fiquei muito surpreendida com o resultado, cuja imagem também incluo. ;)
Concluindo, escolhi O Sétimo Selo, um filme tão negro e profundo como a noite, cuja principal temática se mantém perfeitamente actual: como resistem as nossas crenças, sobretudo a nossa fé, à constatação de que o mundo está cheio de miséria e de maldade?
The Seventh Seal, dir. Ingmar Bergman, 1957.
27 de agosto de 2018.
Hoje, chegou pelo correio uma encomenda maravilhosa que trazia, entre outras coisas, incluindo filmes, um daqueles cartões que vemos na entrada dos cinemas, com super-heróis ou assim. O meu filho era, com sempre, o destinatário. Bem, se fosse Batman, Iron Man, Captain America, já para não falar de imensas personagens do Star Wars, tinha sido uma loucura. Mas não, não era nenhum deles. Era um homem, nem novo nem velho, com um ar rebelde, um olhar penetrante e um meio sorriso, com as mãos fechadas, apoiadas na cintura, numa atitude desafiadora. Eu sorri e só não posso dizer que gostei dele, de imediato, porque não era nenhum desconhecido: eu conhecia muito bem aquela fotografia, que era de alguém de quem eu gosto há muito tempo.
– Quem é? – quis saber o meu filho.
– É um super-herói. – Continuei, perante a estranheza do meu filho, – sabes que nem todos os super-heróis são como o Batman, não? Alguns não têm super poderes, mas fazem-nos pensar e isso é muito importante. – Não o fiz, mas tive vontade de acrescentar que também precisávamos que nos ensinassem a estar a sós e aceitar o silêncio, a angústia e a escuridão.
Mas, admito, não deixei de ficar contente com o facto do cartão do Ingmar Bergman não ser em tamanho natural, isso iria certamente afastar as visitas… ;)
Bem, já se passou muito tempo desde a última vez que vi um filme dele. Mas fico muito feliz que alguém, na Suécia, tivesse decidido incluir o meu filho e, por acréscimo, a mim e ao pai dele, nas celebrações do centenário do nascimento do Bergman. Assim, antes do ano acabar, iremos rever uns quantos dos seus filmes. Naturalmente, o miúdo não. Sei bem que ele é ainda muito novo para a filmografia de Bergman.
Contudo, coloquei um desafio ao meu filho, que só tem nove anos e nunca ouviu falar de Bergman: disse-lhe para olhar para a imagem daquele realizador e, depois, na parte de trás do envelope, imaginar e desenhar uma das personagens dos filmes dele. O meu filho foi buscar os marcadores e eu não consegui deixar de sorrir, imaginando a intensidade da cor que aí viria. Fiquei muito surpreendida com o resultado, cuja imagem também incluo. ;)
Concluindo, escolhi O Sétimo Selo, um filme tão negro e profundo como a noite, cuja principal temática se mantém perfeitamente actual: como resistem as nossas crenças, sobretudo a nossa fé, à constatação de que o mundo está cheio de miséria e de maldade?
The Seventh Seal, dir. Ingmar Bergman, 1957.
27 de agosto de 2018.
07 - 10 dias, 10 filmes
07/10
Ikiru, dir. Akira Kurosawa,1952.
O filme, que escolhi hoje, conta-nos a história do sr. Watanabe, um burocrata exemplar, que nunca faltou ao trabalho em 30 anos. Contudo, há algo a que ele faltou sistematicamente: viver a vida. De repente, descobre que tem uma doença terminal e, nos escassos meses de vida que lhe restam, procura em desespero encontrar um verdadeiro propósito, um sentido para a sua vida.
Hmm, o sentido da vida. Todos nós procuramos um sentido para a nossa vida, certo? Bem, eu penso que a ideia, em si mesma, é uma falácia, que nos leva a acreditar que precisamos encontrar algo, possivelmente externo a nós próprios, que dê sentido à nossa vida. Como se a vida, por ela própria, não tivesse sentido, tendo que lhe ser atribuído. Quando, na verdade, tudo o que precisamos para encontrar o sentido da vida é permitir-nos sentir de verdade, intensa e conscientemente, a experiência de estarmos vivos.
O filme mostra-nos ainda um aspecto importante: por vezes, somos uma espécie de mortos-vivos, durante anos a fio, e nem sequer nos apercebemos disso. Se nos esquecemos de focar a nossa atenção em viver a nossa vida, ela simplesmente passa por nós.
Bem, o que quer que seja que nós façamos, por maior que seja o suposto grau de sucesso que atingimos, se não estamos concentrados na experiência de estarmos vivos, sentindo os momentos únicos de cada um dos nossos dias, então, como dizia Samuel Beckett, estar vivo é como estar morto.
Por mais nobres que pareçam as nossas razões, a verdade é que cada vez que nos afastamos das pessoas ou das coisas que nos fazem sentir verdadeiramente vivos, perdemos um pouco do sentido da vida.
26 de agosto de 2018.
Ikiru, dir. Akira Kurosawa,1952.
O filme, que escolhi hoje, conta-nos a história do sr. Watanabe, um burocrata exemplar, que nunca faltou ao trabalho em 30 anos. Contudo, há algo a que ele faltou sistematicamente: viver a vida. De repente, descobre que tem uma doença terminal e, nos escassos meses de vida que lhe restam, procura em desespero encontrar um verdadeiro propósito, um sentido para a sua vida.
Hmm, o sentido da vida. Todos nós procuramos um sentido para a nossa vida, certo? Bem, eu penso que a ideia, em si mesma, é uma falácia, que nos leva a acreditar que precisamos encontrar algo, possivelmente externo a nós próprios, que dê sentido à nossa vida. Como se a vida, por ela própria, não tivesse sentido, tendo que lhe ser atribuído. Quando, na verdade, tudo o que precisamos para encontrar o sentido da vida é permitir-nos sentir de verdade, intensa e conscientemente, a experiência de estarmos vivos.
O filme mostra-nos ainda um aspecto importante: por vezes, somos uma espécie de mortos-vivos, durante anos a fio, e nem sequer nos apercebemos disso. Se nos esquecemos de focar a nossa atenção em viver a nossa vida, ela simplesmente passa por nós.
Bem, o que quer que seja que nós façamos, por maior que seja o suposto grau de sucesso que atingimos, se não estamos concentrados na experiência de estarmos vivos, sentindo os momentos únicos de cada um dos nossos dias, então, como dizia Samuel Beckett, estar vivo é como estar morto.
Por mais nobres que pareçam as nossas razões, a verdade é que cada vez que nos afastamos das pessoas ou das coisas que nos fazem sentir verdadeiramente vivos, perdemos um pouco do sentido da vida.
26 de agosto de 2018.
06 - 10 dias, 10 filmes
06/10
Sei bem que disse que não iria falar dos filmes da minha vida, mas afinal vou, pelo menos hoje. 😉
Assim, ao sexto filme, entramos no meu género favorito: ficção científica.
Bem, a lista dos filmes de ficção científica que eu vi é imensa, bem menor aquela dos que gostei mesmo muito. Este é, sem dúvida, um dos meus favoritos.
The Fountain, dir. Darren Aronofsky, 2006.
É um filme fantástico! Que mais há a dizer? :)
Só um pequeníssimo comentário: eu adorei vê-lo só, junto da árvore, tão perto da verdadeira canção da saudade, a canção que nos leva da terra ao céu, que fiquei arrepiada e deliciada, tudo ao mesmo tempo. :) E como o filme era suficientemente vago, eu pude interpretá-lo à minha maneira, também gostei disso. ;)
25 de agosto de 2018.
Sei bem que disse que não iria falar dos filmes da minha vida, mas afinal vou, pelo menos hoje. 😉
Assim, ao sexto filme, entramos no meu género favorito: ficção científica.
Bem, a lista dos filmes de ficção científica que eu vi é imensa, bem menor aquela dos que gostei mesmo muito. Este é, sem dúvida, um dos meus favoritos.
The Fountain, dir. Darren Aronofsky, 2006.
É um filme fantástico! Que mais há a dizer? :)
Só um pequeníssimo comentário: eu adorei vê-lo só, junto da árvore, tão perto da verdadeira canção da saudade, a canção que nos leva da terra ao céu, que fiquei arrepiada e deliciada, tudo ao mesmo tempo. :) E como o filme era suficientemente vago, eu pude interpretá-lo à minha maneira, também gostei disso. ;)
25 de agosto de 2018.
05 - 10 dias, 10 filmes
A meio do desafio dos 10 filmes, escolho um documentário, sobre um tema pertinente no mundo moderno e global: a solidão.
The Age of Loneliness, Dir. Sue Bourne, 2016.
Bem, eu não penso que a solidão, em si mesma, seja necessariamente uma coisa má. Eu sou uma pessoa solitária, é a minha natureza. É através da solidão que eu me relaciono com as coisas que eu amo: livros, músicas, filmes, esculturas, pinturas, fotografias… e pedras, árvores, paisagens. Também é através de momentos a sós comigo própria, que eu encontro alguma profundidade nos meus pensamentos.
Contudo, este tipo de solidão não é forçada, é uma escolha: alguns momentos a sós por dia, que tem a contrapartida da imensa companhia, profundamente significativa, daqueles que eu amo e com quem vivo.
Naturalmente, não é este tipo de solidão que o filme retrata. O filme mostra-nos uma realidade bem diferente, na qual os filhos crescem e saem de casa, os casamentos acabam, os familiares morrem, os amigos distanciam-se. Assim, num tempo em que a esperança de vida aumentou significativamente e num mundo onde já não temos a proximidade da comunidade, muitas vezes, vemo-nos perante uma solidão forçada, absoluta, que é preciso aprender não a suportar, mas a combater.
Esta solidão, que nos magoa e nos entristece, não surge só quando somos mais velhos, é transversal a todas as idades. A solidão é a consequência natural de um mundo cada vez mais superficial. Paradoxalmente, precisamente por causa dessa mesma superficialidade, a solidão não é aceitável, estigmatiza-nos socialmente. Não ter amigos é, no mundo em que vivemos, algo que nos condena e isola imediatamente.
Por outro lado, a globalização e o mundo virtual não diminuem a solidão, bem pelo contrário, aumentam-na significativamente, na proporção da ilusão que as redes sociais nos transmitem, mostrando-nos centenas ou milhares de amigos. Se temos centenas de amigos virtuais, se lidamos com mais umas quantas centenas no mundo real, onde encontraríamos o tempo necessário para conhecer, um pouquinho que fosse, cada uma dessas pessoas? E por que razão haveríamos de tentar estabelecer relações cada vez mais profundas e significativas? Certamente não por uma questão de moralidade, apenas pelo simples facto de que as relações superficiais não nos afastam da solidão.
24 de agosto de 2018.
The Age of Loneliness, Dir. Sue Bourne, 2016.
Bem, eu não penso que a solidão, em si mesma, seja necessariamente uma coisa má. Eu sou uma pessoa solitária, é a minha natureza. É através da solidão que eu me relaciono com as coisas que eu amo: livros, músicas, filmes, esculturas, pinturas, fotografias… e pedras, árvores, paisagens. Também é através de momentos a sós comigo própria, que eu encontro alguma profundidade nos meus pensamentos.
Contudo, este tipo de solidão não é forçada, é uma escolha: alguns momentos a sós por dia, que tem a contrapartida da imensa companhia, profundamente significativa, daqueles que eu amo e com quem vivo.
Naturalmente, não é este tipo de solidão que o filme retrata. O filme mostra-nos uma realidade bem diferente, na qual os filhos crescem e saem de casa, os casamentos acabam, os familiares morrem, os amigos distanciam-se. Assim, num tempo em que a esperança de vida aumentou significativamente e num mundo onde já não temos a proximidade da comunidade, muitas vezes, vemo-nos perante uma solidão forçada, absoluta, que é preciso aprender não a suportar, mas a combater.
Esta solidão, que nos magoa e nos entristece, não surge só quando somos mais velhos, é transversal a todas as idades. A solidão é a consequência natural de um mundo cada vez mais superficial. Paradoxalmente, precisamente por causa dessa mesma superficialidade, a solidão não é aceitável, estigmatiza-nos socialmente. Não ter amigos é, no mundo em que vivemos, algo que nos condena e isola imediatamente.
Por outro lado, a globalização e o mundo virtual não diminuem a solidão, bem pelo contrário, aumentam-na significativamente, na proporção da ilusão que as redes sociais nos transmitem, mostrando-nos centenas ou milhares de amigos. Se temos centenas de amigos virtuais, se lidamos com mais umas quantas centenas no mundo real, onde encontraríamos o tempo necessário para conhecer, um pouquinho que fosse, cada uma dessas pessoas? E por que razão haveríamos de tentar estabelecer relações cada vez mais profundas e significativas? Certamente não por uma questão de moralidade, apenas pelo simples facto de que as relações superficiais não nos afastam da solidão.
24 de agosto de 2018.
04 - 10 dias, 10 filmes
04/10
Ontem, coloquei o post do filme Fahrenheit 451, do Truffaut, e a imagem fez-me pensar nos livros a secar ao sol, do Parajanov. O que, por sua vez, me deixou com vontade de escrever… mas não aqui, não agora.
The Color of Pomegranates, Sergei Parajanov, 1968.
Sergei Parajanov mostra-nos os poemas do grande poeta Sayat Nova, transformando muitas das palavras do mestre em imagens maravilhosas.
Sensível, poético e muito belo, este filme é considerado, por muitos cineastas e cinéfilos, uma verdadeira obra-prima.
23 de agosto de 2018.
Ontem, coloquei o post do filme Fahrenheit 451, do Truffaut, e a imagem fez-me pensar nos livros a secar ao sol, do Parajanov. O que, por sua vez, me deixou com vontade de escrever… mas não aqui, não agora.
The Color of Pomegranates, Sergei Parajanov, 1968.
Sergei Parajanov mostra-nos os poemas do grande poeta Sayat Nova, transformando muitas das palavras do mestre em imagens maravilhosas.
Sensível, poético e muito belo, este filme é considerado, por muitos cineastas e cinéfilos, uma verdadeira obra-prima.
23 de agosto de 2018.
03 - 10 dias, 10 filmes
03/10
Hoje, como é o dia do aniversário de Ray Bradbury, escolho um filme baseado numa das grandes obras dele: Fahrenheit 451.
Fahrenheit 451, dir. François Truffaut, 1966.
22 de agosto de 2018.
Hoje, como é o dia do aniversário de Ray Bradbury, escolho um filme baseado numa das grandes obras dele: Fahrenheit 451.
Fahrenheit 451, dir. François Truffaut, 1966.
22 de agosto de 2018.
02 - 10 dias, 10 filmes
02/10
Tal como já referi, não escolhi os filmes da minha vida, apenas filmes que, por acaso, estou a ver ou a rever nesta altura.
Bem, neste caso, este filme surgiu pela relação com a imagem do filme anterior, que a minha mente estabeleceu.
Assim, comecei com a imagem do olho de um cavalo, o que me leva para o próximo filme, através da imagem de um cavalo morto em cima de um piano. Para mim, neste filme, para além da cabeça do cavalo, as duas cenas mais fortes são as seguintes: um homem a cortar com uma navalha o olho de uma mulher e uma mão com um buraco no meio, donde saem imensas formigas (cujas imagens também vou incluir).
É precisamente através destas duas imagens, que dois grandes realizadores fazem deliberadamente uma referência a este filme. A primeira surge no filme Spellbound de 1945, de Hitchcock, em que o olho é substituído por uma cortina com esse motivo, que é cortada no mesmo plano; e a segunda em Blue Velvet, de David Lynch, em que a mão é substituída por uma orelha, também cheia de formigas.
A narrativa é de tal modo estranha que, mais do que interpretar o filme, somos de certa forma obrigados a estabelecer a nossa própria relação entre as imagens, a criar uma história.
É o primeiro filme surreal, cujo argumento e cenários foram criados pelo realizador, Buñuel, em parceria com Salvador Dalí – quem mais poderia ser?
Un Chien Andalou, dir. Luis Buñuel, 1929.
21 de agosto de 2018.
Tal como já referi, não escolhi os filmes da minha vida, apenas filmes que, por acaso, estou a ver ou a rever nesta altura.
Bem, neste caso, este filme surgiu pela relação com a imagem do filme anterior, que a minha mente estabeleceu.
Assim, comecei com a imagem do olho de um cavalo, o que me leva para o próximo filme, através da imagem de um cavalo morto em cima de um piano. Para mim, neste filme, para além da cabeça do cavalo, as duas cenas mais fortes são as seguintes: um homem a cortar com uma navalha o olho de uma mulher e uma mão com um buraco no meio, donde saem imensas formigas (cujas imagens também vou incluir).
É precisamente através destas duas imagens, que dois grandes realizadores fazem deliberadamente uma referência a este filme. A primeira surge no filme Spellbound de 1945, de Hitchcock, em que o olho é substituído por uma cortina com esse motivo, que é cortada no mesmo plano; e a segunda em Blue Velvet, de David Lynch, em que a mão é substituída por uma orelha, também cheia de formigas.
A narrativa é de tal modo estranha que, mais do que interpretar o filme, somos de certa forma obrigados a estabelecer a nossa própria relação entre as imagens, a criar uma história.
É o primeiro filme surreal, cujo argumento e cenários foram criados pelo realizador, Buñuel, em parceria com Salvador Dalí – quem mais poderia ser?
Un Chien Andalou, dir. Luis Buñuel, 1929.
21 de agosto de 2018.
01 - 10 dias, 10 filmes
No início do mês, um amigo deixou-me aqui o desafio de, durante 10 dias, postar uma imagem referente a um filme. Bem, as férias acabaram, assim, porque não? :)
Não irei indicar outras pessoas para continuar o desafio, quem quiser participar, que participe e pronto. Hmm, também não obedecerei completamente à regra de colocar apenas uma imagem, sem palavras, mas andará perto disso. ;)
Enfim, certamente não serão os filmes da minha vida, apenas filmes que, por acaso, estou a ver ou a rever nesta altura. E vou colocar o nome do filme, mesmo não sendo suposto.
Comecemos, então.
01/10
A Torinói Ló, The Turin Horse, dir. Béla Tarr e Ágnes Hranitzky, 2011.
O filme começa com uma voz off que, sem qualquer imagem, nos conta esta breve história:
Em Turim, no dia 3 de janeiro de 1889, Friedrich Nietzsche deixa a sua residência no nº6 da Via Carlo Alberto, talvez para dar um passeio ou apenas para ir buscar a sua correspondência.
Não longe dele, ou realmente mesmo muito longe, um cocheiro tem problemas com o seu cavalo teimoso.
Irritado, o cocheiro perde a paciência e começa a chicotear ferozmente o cavalo, que se mantém imóvel.
Nietzsche avança até à multidão e põe fim àquele brutal espectáculo.
O forte e bigodudo Nietzsche salta para a carroça e abraça o pescoço do cavalo, soluçando.
Mais tarde, um amigo leva-o de volta para casa, onde ele fica deitado em silêncio, por dois dias.
Por fim, diz:
- Mãe, sou um idiota.
E a voz off termina, referindo que do cavalo nada sabemos.
Começam, então, as imagens.
20 de agosto de 2018.
Não irei indicar outras pessoas para continuar o desafio, quem quiser participar, que participe e pronto. Hmm, também não obedecerei completamente à regra de colocar apenas uma imagem, sem palavras, mas andará perto disso. ;)
Enfim, certamente não serão os filmes da minha vida, apenas filmes que, por acaso, estou a ver ou a rever nesta altura. E vou colocar o nome do filme, mesmo não sendo suposto.
Comecemos, então.
01/10
A Torinói Ló, The Turin Horse, dir. Béla Tarr e Ágnes Hranitzky, 2011.
O filme começa com uma voz off que, sem qualquer imagem, nos conta esta breve história:
Em Turim, no dia 3 de janeiro de 1889, Friedrich Nietzsche deixa a sua residência no nº6 da Via Carlo Alberto, talvez para dar um passeio ou apenas para ir buscar a sua correspondência.
Não longe dele, ou realmente mesmo muito longe, um cocheiro tem problemas com o seu cavalo teimoso.
Irritado, o cocheiro perde a paciência e começa a chicotear ferozmente o cavalo, que se mantém imóvel.
Nietzsche avança até à multidão e põe fim àquele brutal espectáculo.
O forte e bigodudo Nietzsche salta para a carroça e abraça o pescoço do cavalo, soluçando.
Mais tarde, um amigo leva-o de volta para casa, onde ele fica deitado em silêncio, por dois dias.
Por fim, diz:
- Mãe, sou um idiota.
E a voz off termina, referindo que do cavalo nada sabemos.
Começam, então, as imagens.
20 de agosto de 2018.
sexta-feira, julho 27, 2018
Na estrada do leite
Agora que já não conseguimos aguentar mais séries (pelo menos, até voltar GoT), voltamos em força aos filmes. Assim, no fim de semana passado vimos On the Milky Road, de Emir Kusturica, 2016.
Bem, tem o próprio Kusturica, como personagem principal, e é um filme estranho e surreal, logo, interessante. Mas, se o sr. Kusturica me permite, tenho uma ou duas coisinhas a apontar. :P
Comecemos com a cena da galinha a cacarejar em frente a um velho espelho, em cima de uma mesa de cozinha, cheia de cerejas. Adorei a imagem, mas parece-me que a força dessa imagem se perde um bocadinho na repetição. É uma imagem indelével, para quê mostrá-la mais do que uma vez?
Passemos, então à cobra: a magnífica, gigantesca víbora. Agradou-me o leite derramado nas covinhas, na estrada do leite, uma velha reminiscência das nossas lendas de serpentes… Depois, a cobra monstruosa que sobe por nós, prendendo-nos com o seu corpo, enquanto a sua cabeça assustadora se dirige para a nossa cara, bem, é simplesmente perfeito. Um eco, nada distante, das nossas lendas das mouras encantadas. Contudo, rebolar com a cobra no chão destrói um pouco esse imaginário… é forçado e, mais tarde, percebe-se porquê, mas continua a ser forçado. De resto, a simbologia majestosa e pagã da cobra, que nos salva, acaba por voltar, talvez devidamente cristianizada, como símbolo dos nossos pecados, que nos destroem. :(
E que perseguição era aquela? Que tal não nos mostrar os ridículos soldados tantas vezes? Poderiam estar presentes, sem estar verdadeiramente, não? Dando um cariz mágico à já um pouco misteriosa perseguição. ;)
Por fim, a cena da eternamente bela Monica Bellucci a costurar uma orelha decepada, junto a um velho poço, enquanto canta baixinho uma música de embalar... Que posso eu dizer? É simplesmente maravilhosa. Uma cena que certamente voltará cada vez que olharmos algumas pinturas, sentindo no nosso coração o conforto de imaginar um solitário Vincent a ser costurado e acarinhado por tão carinhosa e bela senhora. Não estou a brincar, é sem dúvida algo pelo qual temos que agradecer.
Bem, ainda nesse fim de semana, revisitamos Black Cat, White Cat, de 1998. Uma comédia simples, despretensiosa e genial. Esse sim,um filme fantástico do kusturica. :D
Bem, tem o próprio Kusturica, como personagem principal, e é um filme estranho e surreal, logo, interessante. Mas, se o sr. Kusturica me permite, tenho uma ou duas coisinhas a apontar. :P
Comecemos com a cena da galinha a cacarejar em frente a um velho espelho, em cima de uma mesa de cozinha, cheia de cerejas. Adorei a imagem, mas parece-me que a força dessa imagem se perde um bocadinho na repetição. É uma imagem indelével, para quê mostrá-la mais do que uma vez?
Passemos, então à cobra: a magnífica, gigantesca víbora. Agradou-me o leite derramado nas covinhas, na estrada do leite, uma velha reminiscência das nossas lendas de serpentes… Depois, a cobra monstruosa que sobe por nós, prendendo-nos com o seu corpo, enquanto a sua cabeça assustadora se dirige para a nossa cara, bem, é simplesmente perfeito. Um eco, nada distante, das nossas lendas das mouras encantadas. Contudo, rebolar com a cobra no chão destrói um pouco esse imaginário… é forçado e, mais tarde, percebe-se porquê, mas continua a ser forçado. De resto, a simbologia majestosa e pagã da cobra, que nos salva, acaba por voltar, talvez devidamente cristianizada, como símbolo dos nossos pecados, que nos destroem. :(
E que perseguição era aquela? Que tal não nos mostrar os ridículos soldados tantas vezes? Poderiam estar presentes, sem estar verdadeiramente, não? Dando um cariz mágico à já um pouco misteriosa perseguição. ;)
Por fim, a cena da eternamente bela Monica Bellucci a costurar uma orelha decepada, junto a um velho poço, enquanto canta baixinho uma música de embalar... Que posso eu dizer? É simplesmente maravilhosa. Uma cena que certamente voltará cada vez que olharmos algumas pinturas, sentindo no nosso coração o conforto de imaginar um solitário Vincent a ser costurado e acarinhado por tão carinhosa e bela senhora. Não estou a brincar, é sem dúvida algo pelo qual temos que agradecer.
Bem, ainda nesse fim de semana, revisitamos Black Cat, White Cat, de 1998. Uma comédia simples, despretensiosa e genial. Esse sim,um filme fantástico do kusturica. :D
November
Deixo aqui uma pequena referência a um delicioso filme pagão:
November, dir. Rainer Sarnet, 2017.
Hmm, aquele momento em que ele invoca uma força elementar, que lhe diz o quanto lamenta não poder conceder-lhe o que lhe pede. Lamenta, por se sentir grato pela invocação, que lhe deu o som da sua voz. É simplesmente divertido e, ao mesmo tempo, profundamente belo ver aquela força primordial apaixonada pela sua própria voz. Não quer partir, quer ficar, conversar com ele e ouvir-se.
E que voz era aquela? Uma voz que atravessa as nossas células e fica a ecoar no espaço vazio, dentro dos nossos átomos. Hmm, pressinto que da próxima vez que os meus dedos tocarem o corpo desse elemento, a minha imaginação trará aquela voz de volta.
Como é que se pode agradecer algo assim?... :)
November, um filme extraordinário!
November, dir. Rainer Sarnet, 2017.
Hmm, aquele momento em que ele invoca uma força elementar, que lhe diz o quanto lamenta não poder conceder-lhe o que lhe pede. Lamenta, por se sentir grato pela invocação, que lhe deu o som da sua voz. É simplesmente divertido e, ao mesmo tempo, profundamente belo ver aquela força primordial apaixonada pela sua própria voz. Não quer partir, quer ficar, conversar com ele e ouvir-se.
E que voz era aquela? Uma voz que atravessa as nossas células e fica a ecoar no espaço vazio, dentro dos nossos átomos. Hmm, pressinto que da próxima vez que os meus dedos tocarem o corpo desse elemento, a minha imaginação trará aquela voz de volta.
Como é que se pode agradecer algo assim?... :)
November, um filme extraordinário!
segunda-feira, julho 09, 2018
Meros acasos
Hum, apetece-me escrever a alguém, um amigo talvez, mas não tenho nadinha de nada para dizer (sim, bem sei, isso nunca me deteve anteriormente), assim, só me resta escrever aqui. Por favor, reconsidera antes de leres este post, eu escrevo muito e raramente digo o que quer que seja de interessante. É assim como poderia não ser.
Bem, escrever o quê? Sim, claro! Poderia referir o último filme que vi, o livro que ando a ler ou a música que estou a ouvir, mas isso demora apenas 30 segundos, não? E eu preciso de um pouco mais…
Filme: Arrival de Denis Villeneuve, baseado no conto Story of Your Life, de Ted Chiang. E devo dizer que gostei muito.
Livro: vou na 3ª página de Lavínia, de Ursula K. Le Guin.
Música: neste momento, um pouco por acaso, estou a ouvir Angel, do álbum Mezzanine, de Massive Attack.
Pois, escasseiam os adjectivos. Ok, então. Hoje sinto-me triste. Apenas porque não vamos passar o Carnaval a Trás-os-Montes e tenho saudades da minha floresta. Gosto da floresta nesta época do ano (e nas outras todas, mas não falemos disso agora), o mundo renasce e isso leva-me a sentir que também eu entro no tempo de todas as possibilidades.
Na semana passada, na madrugada de quarta-feira, estava eu a sonhar com uma floresta maravilhosa, quando o telefone me acordou. Atendi e ouvi uma voz simpática que me disse: «Bambi, acorda! Está na hora de acordares.» Claro que era engano. Não conheço ninguém que considerasse sequer a hipótese de me chamar Bambi. Hum, fico quase com pena de aquele telefonema ter sido um mero acaso, se o sonho e a chamada telefónica estabelecessem uma coincidência, poderia sempre divertir-me a pensar nisso… mas não, trata-se simplesmente de um acaso!
Os meros acasos também me deixam triste.
Hum, talvez fosse possível modificar ligeiramente essa memória. ;)
Lembro-me de uma vez, quando o meu filho tinha quatro anos, regressava da escola e quando eu lhe perguntei como tinha sido o dia dele, depois de pensar um bocadinho, ele respondeu:
- Hoje a Fabiana desapareceu.
- Desapareceu como? Não foi à escola o dia todo? Ou foi de manhã e de tarde já não voltou? Ou, então, estava lá na tua sala e, de repente, do meio do nada, apareceram três aliens verdes e viscosos que agarraram a Fabiana e desapareceram todos no meio do ar?...
O rosto do meu filho mostrou um misto de surpresa e deslumbramento, olhou para mim e disse cheio de entusiasmo:
- Foram os aliens!
Pois! O meu problema é que ninguém me fornece uma lista de possibilidades e a minha imaginação está muito longe de fazer o trabalho que lhe compete. Assim, vejo-me forçada a manter-me nos meros acasos. :(
Nada mais tenho a dizer, por agora. Termino com uma fotografia do meu lugar agreste, remoto e praticamente desabitado. :)
23 de Fevereiro de 2017.
Bem, escrever o quê? Sim, claro! Poderia referir o último filme que vi, o livro que ando a ler ou a música que estou a ouvir, mas isso demora apenas 30 segundos, não? E eu preciso de um pouco mais…
Filme: Arrival de Denis Villeneuve, baseado no conto Story of Your Life, de Ted Chiang. E devo dizer que gostei muito.
Livro: vou na 3ª página de Lavínia, de Ursula K. Le Guin.
Música: neste momento, um pouco por acaso, estou a ouvir Angel, do álbum Mezzanine, de Massive Attack.
Pois, escasseiam os adjectivos. Ok, então. Hoje sinto-me triste. Apenas porque não vamos passar o Carnaval a Trás-os-Montes e tenho saudades da minha floresta. Gosto da floresta nesta época do ano (e nas outras todas, mas não falemos disso agora), o mundo renasce e isso leva-me a sentir que também eu entro no tempo de todas as possibilidades.
Na semana passada, na madrugada de quarta-feira, estava eu a sonhar com uma floresta maravilhosa, quando o telefone me acordou. Atendi e ouvi uma voz simpática que me disse: «Bambi, acorda! Está na hora de acordares.» Claro que era engano. Não conheço ninguém que considerasse sequer a hipótese de me chamar Bambi. Hum, fico quase com pena de aquele telefonema ter sido um mero acaso, se o sonho e a chamada telefónica estabelecessem uma coincidência, poderia sempre divertir-me a pensar nisso… mas não, trata-se simplesmente de um acaso!
Os meros acasos também me deixam triste.
Hum, talvez fosse possível modificar ligeiramente essa memória. ;)
Lembro-me de uma vez, quando o meu filho tinha quatro anos, regressava da escola e quando eu lhe perguntei como tinha sido o dia dele, depois de pensar um bocadinho, ele respondeu:
- Hoje a Fabiana desapareceu.
- Desapareceu como? Não foi à escola o dia todo? Ou foi de manhã e de tarde já não voltou? Ou, então, estava lá na tua sala e, de repente, do meio do nada, apareceram três aliens verdes e viscosos que agarraram a Fabiana e desapareceram todos no meio do ar?...
O rosto do meu filho mostrou um misto de surpresa e deslumbramento, olhou para mim e disse cheio de entusiasmo:
- Foram os aliens!
Pois! O meu problema é que ninguém me fornece uma lista de possibilidades e a minha imaginação está muito longe de fazer o trabalho que lhe compete. Assim, vejo-me forçada a manter-me nos meros acasos. :(
Nada mais tenho a dizer, por agora. Termino com uma fotografia do meu lugar agreste, remoto e praticamente desabitado. :)
23 de Fevereiro de 2017.
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