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sexta-feira, setembro 25, 2020

Uma rapariga à janela

Não basta abrir a janela 

Para ver os campos e o rio. 

Não é bastante não ser cego 

Para ver as árvores e as flores. 

É preciso também não ter filosofia nenhuma. 

Com filosofia não há árvores: há ideias apenas. 

Há só cada um de nós, como uma cave. 

Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora; 

E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse, 

Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.


Alberto Caeiro


Hoje, o facebook de uma amiga trouxe este velho poema. Bem, na minha vivência da espiritualidade, este poema de Pessoa reflecte uma das minhas ideias principais: a noção de que o sujeito que vê e o acto de ver não são a mesma coisa. Esta noção leva-me à procura de uma representação do mundo, onde eu não detenho o foco central, mas sim o mundo em si mesmo. Contudo, a nossa visão do mundo e sua consequente representação, com o foco no sujeito, em quem vê, mesmo sendo um conceito moderno, está demasiado entranhada e não é nada fácil libertarmo-nos dela. 

Bem, para terminar, deixo uma janela para um mundo antigo, através da fantástica banda Sangre Cavallum e deste maravilhoso álbum Veleno de Teixo. E ainda uma rapariga à janela, de Salvador Dalí.



quarta-feira, setembro 26, 2018

Bolero, de Ravel

Ando com insónias. :(

Talvez o Bolero, de Ravel, me ajude a adormecer.

Hmm, como alguém diz nos comentários deste vídeo:

«You can't compose a song that has the same melody playing for over fifteen minutes and make it sound good.»
Maurice Ravel: Hold my beer.

:P

Esta música é incrível, faz-me pensar em tudo o que é eterno e infinito. :)

Zbigniew Rybczynski, um cineasta russo, fez um filme - The Orchestra, 1990 - baseado nesta música, onde coloca as personagens a subirem ao céu, através de uma escada sem fim.

Por acaso, as personagens são os protagonistas da revolução soviética, que ascendem ao céu, quais anjos e querubins. ;)

É tudo, deixo-te com esse belo pensamento e esta música maravilhosa, agora vou dormir. :)

Link: Maurice Ravel - Bolero

terça-feira, agosto 28, 2018

What Are You Waiting For, by Disturbed.

Estou cansada de ser uma boa pessoa, meramente uma boa pessoa. Eu quero ser tudo. Mas não quero voltar a comprometer-me, não quero voltar a desistir. Quero saudar cada desafio que surgir na minha vida. Quero abrir os meus olhos e nunca mais vaguear às cegas.

Ah! E quero saborear cada minuto da minha vida!

Então, de que é que eu estou à espera?...

Disturbed - What Are You Waiting For [Official Lyric Video]

Sem dúvida, uma canção poderosa. Teve um profundo impacto em mim, desde a primeira vez que a ouvi. É uma música inspiradora, determinada, simplesmente fantástica!

quarta-feira, julho 25, 2018

Feel the thunder

Ontem à noite, um amigo virtual apareceu num dos meus sonhos fetiche, em que eu estou deitada de costas na terra quente, em Capri, de noite. A minha viagem pelas estrelas foi interrompida e quando eu lhe perguntei o que queria, disse apenas que queria que eu soubesse o quanto me desprezava. E eu acordei de imediato.

Bem, não consegui deixar de sorrir, mesmo acordando abruptamente de um sonho que eu muito acarinho. A nossa mente é verdadeiramente maravilhosa, não é? Tão querida, a deixar-nos ficar com a ilusão de que nos importaríamos. ;)

Thunder, feel the thunder
Lightning and the thunder, thunder
Thunder, feel the thunder.

É a música que eu estou a ouvir. Sim, bem sei, é terrivelmente popular, mas também é fantástica! E quem poderia resistir a uma banda com um nome tão apelativo como Imagine Dragons? Hmm, o vídeo até tem uma mulher com língua bífida… que é um daqueles sonhos impossíveis, da infância de todas as menininhas, certo? :)

Acredita ou não, quando pensei em escrever qualquer coisinha, aqui, tinha em mente escrever sobre a admiração que o Fellini dizia ter, pelas pessoas que falhavam e persistiam. Sei lá, pareceu-me um bom tema, positivo e tal… Mas distraí-me e o meu tempo esgotou-se.

O que está de acordo com outra das grandes lições dele: princípio e fim.

Não existe fim, não existe princípio, existe apenas a paixão da vida.

Eu gostaria de acrescentar que essa paixão pela vida é inesgotável, renovada a cada amanhecer.

That’s all! :)

25 de Julho de 2018.

segunda-feira, julho 09, 2018

Uma pequena bênção, antes de dormir

Hoje, um amigo partilhou um post sobre a ideia de nos abençoarmos, que é algo que eu acarinho verdadeiramente, mas que pratico menos do que devia.

Assim, hoje, antes de ir dormir, quero deixar aqui uma bênção… para quem quer que seja que a leia. :)

Hmm... não sei que fórmulas usar, ou mesmo se quero usar fórmulas.

Pode ser com uma canção, por favor?

Dream a little dream of me, The Mamas and The Papas. :)

Mas mudemos um pouco a letra, por favor. Que tal pensarmos aquele «dream a little dream of me» não como a pessoa A ou B, mas sim nós próprios, cada um de nós?... Nós como um todo, com o nosso eu do presente e também com todos os nossos eus passados e futuros. Como se algo nos lembrasse que, de vez em quando, precisamos sonhar um pequeno sonho de nós próprios. Nós que só somos um pequeno lugar momentaneamente, durante cada uma das nossas viagens. Para lá disso, somos um universo. Um universo que sonha pequenos sonhos, como diria Chopra.

E, assim, toda esta canção é, de verdade, uma bênção. :)

19 de Agosto de 2017.


The Starry Night, by Vincent van Gogh.