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domingo, dezembro 12, 2021

Sem forma, vaga e incerta...

Antes de ir dormir, deixo um velho poema da maravilhosa Sophia de Mello Breyner Andresen.


Às vezes julgo ver nos meus olhos

A promessa de outros seres

Que eu podia ter sido,

Se a vida tivesse sido outra.


Mas dessa fabulosa descoberta

Só me vem o terror e a mágoa

De me sentir sem forma, vaga e incerta

Como a água.


Para mim não vem nem terror nem mágoa, por me sentir sem forma, vaga e incerta como a água. O terror vem quando me construo ou deixo construir, afastando-me de quem eu sou de verdade. E quem eu verdadeiramente sou é algo que tanto encontro agora, como quando tinha cinco anos e ainda estava completamente despida dos papéis que a vida me iria atribuir.

Na minha modesta opinião, este tempo, que precede Yule, é o tempo certo para nos prepararmos, libertando-nos de velhas máscaras e de velhos rótulos, para encararmos o Sol nascente com a nossa face nua.





quarta-feira, novembro 24, 2021

Swing

Dentro de cada um de nós existe um swing próprio, autêntico. Algo com que nascemos, que é só nosso, que não se pode ensinar ou aprender. Algo que não podemos esquecer. Mas ao longo do tempo, o mundo pode privar-nos desse swing. Fica enterrado dentro de nós, sob o peso das desculpas que arranjamos para o que devíamos ter feito. Algumas pessoas até se esquecem de como era o seu swing...»

Somos condicionados, desde crianças, a pensar que há um caminho para a felicidade, de tal modo que nos habituamos a ver a felicidade como algo que irá acontecer no futuro, quando várias premissas se concretizarem. 

Na verdade, não há nenhum caminho que nos conduza à felicidade, porque a felicidade é que é o caminho.

Contudo, para entrar nesse caminho, precisamos do nosso swing... e, por mais que eu esteja a ser repetitiva, irei continuar a dizer isto. Faço-o, em parte, para me ensinar a mim própria. Também eu preciso de reencontrar o meu swing e dançar nas clareiras ao luar.

:)

Termino com esta pintura mágica: Le villi, 1906, de Bartolomeo Giuliano.



quinta-feira, setembro 24, 2020

Manhã de chuva

Post que coloquei no facebook:

Acordei triste esta manhã, mas hoje está um belo dia de chuva, não é um dia para se estar triste. :) A chuva, como tudo na vida, é mais bela quando é sentida. Como disse Bob Dylan, uns sentem a chuva, outros apenas se molham. Eu não quero ser dos que apenas se molham... :)

Termino este pequenino post com uma alegre pintura de Pete Rumney e com um segredo... :) O segredo vi-o ontem no facebook de uma amiga e dizia que o adulto acredita no que existe, mas a criança só existe no que acredita. Já não sei de quem é a frase, mas sei que me fez sorrir quando a li. Eu tenho gostos simples, gosto de coisas que me fazem sorrir. :)

Bom dia. :)











Depois, em resposta a alguns comentários, deixei dois pensamentos que transcrevo, talvez para voltar a eles mais tarde... 

«Para mim, tal como para Pessoa, tudo é símbolo e analogia. Também eu falo da beleza de andar à chuva, quando chove, ou ao sol, quando está sol. Sei bem que um dia de chuva ou um dia de sol deviam ter encanto em si mesmos, mas temo que tudo se misture e que sejam as memórias que atam e desatam o sentimento. É a demanda pela eternidade, não é? Hmm, gostas de Dalila Pereira da Costa? "Ah, mas sinto que nada mais hoje devia ter feito, dito, do que pensar, fundo, reviver, reaver, essa vida num dia."» 

«Se calhar, digo eu e eu engano-me muitas vezes, o dia que amanhece com chuva deprime-te porque sentes que não há ali nada teu, naquele amanhecer. Mas já houve e pode haver de novo… "Ah, a frescura das manhãs em que se chega…" como dizia Pessoa. Bem, eu creio que mais importante do que chegar a algum lado, talvez seja chegarmos nós à manhã que começa. Não sentes que nos deixamos repartir por muitos lugares e por muitas preocupações? Ultimamente, eu sinto profundamente a necessidade de aprender a reagrupar o meu eu e simplesmente chegar… chegar à frescura das manhãs, quer sejam de sol ou de chuva.»



terça-feira, janeiro 07, 2020

Novo ano, novas ideias.

Hoje, o face mostrou-me uma memória de 2018, onde afirmo que uma das minhas resoluções de Ano Novo foi deixar de falar da minha vida insignificante e passar a falar de ideias. Hahahaha…

Ainda no mesmo post, com a desculpa de que os velhos hábitos demoram a desaparecer, falei do meu primeiro livro de 2018: um tratado das flores, de 1824, do qual já só tenho uma ideia muito vaga. Lembro-me sobretudo da estranheza de um livro de botânica que não tinha uma única imagem. A memória é uma coisa interessante, mas também estranha.

Em 2020, já que eu não consigo libertar-me do vício de olhar para o meu passado, quero ver apenas experiências, umas com melhores resultados do que outras, algumas com elevado nível de sofrimento, mas, ainda assim, apenas experiências, sem os rótulos certo ou errado.

Hmm, eu estou a envelhecer. Envelhecer é uma coisa boa, creio que ansiei por isso toda a minha vida. Não pelas rugas nem pelos cabelos brancos, naturalmente. Mas por aquela sabedoria, ainda que pouca, que só vem com a idade. Só a idade nos faz olhar o tempo de outra maneira, valorizando-o como aquilo que realmente é: insubstituível. Só a idade nos traz o prazer crescente das coisas simples.

Ao mesmo tempo, precisamente por ter consciência de que estou a envelhecer, anseio por coisas novas. Desvio-me do percurso habitual e caminho por outras ruas. Experimento novos sabores, novos lugares. Ouço novas músicas. Contudo, nos filmes e nos livros noto que tendo a regressar aos velhos amores. O que, naturalmente, também não é proibido. ;)

Por falar em filmes, num filme sul-coreano que eu vi no ano passado, do qual não recordo o nome, uma personagem estava a fazer um curso de poesia. Bem, esse não é o enredo principal da história, ainda que pudesse ser. É só uma linha secundária do argumento, que me cativou. Então, foi ensinado à personagem que o primeiro passo para trazer a poesia para a sua vida era, precisamente, reparar nas pequenas coisas, que facilmente passavam despercebidas, na azáfama dos dias. Admito que gosto disso. Há dias em que reparo em coisas nas quais nunca tinha reparado antes e isso é muito gratificante. Também é interessante manter a minha mente focada, orientada para singularidades.

Hmm, não sei bem por que razão, os meus pensamentos levaram-me para Ayn Rand e o egoísmo como virtude. Mas isso não é o que eu professo, de todo. Contudo, sinto que tem que haver um equilíbrio. Certamente, não quero viver totalmente em função de mim própria, mas também não quero viver totalmente em função dos outros, mesmo que os outros sejam aqueles que eu amo.

Termino, então, este primeiro post mais pessoal, de 2020, com uma frase do Dalai Lama: «Sê sabiamente egoísta.» ;)


terça-feira, julho 02, 2019

Pegadas no meu mundo...

Hmm… quase parece a paisagem dos nossos sonhos, caso a sonhássemos, não? :) Bem, eu sonho e o meu mundo é praticamente este, só não há casas, nem cercas, nem portões. E as árvores são muito mais antigas, altas e majestosas. Também não há flores em canteiros, as flores aparecem por todo o lado, sem qualquer tipo de restrição. ;)

Ocorreu-me um pensamento inesperado: haverá pegadas? :)

Hoje acordei com uma frase do Ray Bradbury a pairar na minha mente. Deixa cá ver se ainda me lembro, sim, porque eu não acordei agora, acordei há muito tempo. :P

Era algo relacionado com as pegadas que deixaram aqueles que caminharam no nosso coração. Hmm, qualquer coisa como isso, mas mais concreto. Bem, não sei bem por que razão, houve várias pessoas que saíram da minha vida, ao longo do tempo. Estranhamente, não é um pensamento deprimente. E, se querem mesmo saber, cada vez aceito isso mais facilmente, ao mesmo tempo que continuo a sentir-me feliz com as pegadas que outros deixaram no meu mundo. :)

Voltando aos sonhos. por maior que seja a beleza dos lugares com que sonhamos, na minha modesta opinião, o mais importante é não esquecer que, ainda assim, continuamos a ser o que sempre fomos: um universo inteiro, que vai sonhando com pequenos lugares.

Boa tarde. :)

(Imagem retirada da net, não sei quem é o autor.)


sexta-feira, março 29, 2019

Para lá das nuvens...

Por mais que os dias sejam solarengos, há momentos em que alguns de nós ainda se deparam com as nuvens que lhe escurecem a visão. Contudo, mesmo dentro de cada um de nós, há um ponto para lá do qual não há nuvens. O ponto onde eu me encontro, ou o ponto onde tu te encontras, são pontos sempre dinâmicos, nunca estáticos. O que vemos depende da nossa posição, da nossa perspectiva, que podemos sempre mudar.


quinta-feira, fevereiro 28, 2019

Filmes de John Ford

A propósito de cinema e de John Ford (um curto comentário, que escrevi noutro lado).

Ford, um dos primeiros realizadores que me fizeram apaixonar pelo cinema. :)

Bem, talvez algumas pessoas precisem de mais razões para ver Ford. A essas pessoas, eu gostaria de dizer que os filmes dele são de uma beleza estonteante, profundamente visuais, como se Ford fosse, antes de mais, um pintor, um grande pintor.

Não sei se quero escolher um favorito, mas a The Sun Shines Bright, How Green Was My Valley e The Man Who Shot Liberty Valance, acrescentaria ainda Rio Grande, The Grapes of Wrath, My Darling Clementine e How the West Was Won. Sendo que estes dois últimos foram filmados no mítico Monument Valley, algo que nos reporta de imediato ao horizonte Fordiano. Contudo, seguindo a ambiguidade característica de Ford, também o próprio conceito de horizonte Fordiano, para lá do imaginário associado ao Monument Valley, refere ainda um horizonte bem abaixo ou bem acima no enquadramento, retirando-nos da monotonia do horizonte sempre no meio.

A aparente simplicidade cénica, o diálogo reduzido quase ao essencial e as intensas cenas silenciosas, tudo se conjuga para aquilo em que Ford é verdadeiramente mestre: a autenticidade.

Para terminar, poderíamos dizer que Ford nos dá cenários, diálogos, filmes que, numa primeira vista, quase parecem simples ou até rústicos, mas que são profundos e complexos, a diversos níveis.

Sem dúvida, uma obra a (re)visitar. :)


Sábado filhoeiro

O sábado de carnaval é, segundo a tradição, o dia das filhoses. Bem, eu não estou a pensar fazer só filhoses, também haverá arroz-doce e uns quantos petiscos, bem caseirinhos e tradicionais. E nada melhor do que um piquenique no sábado filhoeiro, certo? A menos que chova e parece que sim, que haverá chuva. Assim, talvez não seja má ideia comer as filhoses e os petisquinhos em casa e, pelo meio, ver uns filmes. ;)

Pensei em Les beaux jours d'Aranjuez, sobretudo por ser do Wim Wenders, mas admito que a pontuação me deixou um pouco assustada. E não quero estragar o meu sábado filhoeiro. :(

Bem, era giro rever o meu filme favorito do Greenaway: The Cook, the Thief, His Wife & Her Lover, mas não creio que a sugestão seja aceite. Hmm, Como Água para Chocolate também seria uma opção mais ou menos adequada, não se desse o caso de eu querer algo um pouco mais dark. Qualquer coisa que me diga (como a canção que estou a ouvir agora mesmo):

come with me now
I'm gonna take you down

Hmm, para além disso, seria fantástico se tivesse uma relação qualquer com tradição e petiscos, filhoses se possível. ;)

Então, que filmes sugerem para o sábado filhoeiro? De preferência também um pouco herméticos, como a quadra transcrita por Ernesto Veiga de Oliveira:

Para jogar o Entrudo
Ambos teremos ventura
Tu dando-me as filhoses
Eu dando-te a fadura.

Ahahahaha… como é que é possível não gostar de manjares cerimoniais (a expressão é também do Veiga de Oliveira)?

Manjares cerimoniais e cinema, não? ;)

Braga, 28 de fevereiro de 2019.

p.s. Acabei de me lembrar de Babette's Feast, de Gabriel Axel. Um banquete ostensivo e decadente, num mundo austero e sombrio, que parece fazer parte do universo de Bergman… :)

Lembrei-me também de My Dinner with Andre, de Louis Malle, que é um filme que eu adoro. Contudo, ainda que o filme seja uma longa conversa entre dois amigos, na mesa de um restaurante, durante um jantar, a comida não parece ter nenhuma importância. ;)

quarta-feira, julho 25, 2018

Feel the thunder

Ontem à noite, um amigo virtual apareceu num dos meus sonhos fetiche, em que eu estou deitada de costas na terra quente, em Capri, de noite. A minha viagem pelas estrelas foi interrompida e quando eu lhe perguntei o que queria, disse apenas que queria que eu soubesse o quanto me desprezava. E eu acordei de imediato.

Bem, não consegui deixar de sorrir, mesmo acordando abruptamente de um sonho que eu muito acarinho. A nossa mente é verdadeiramente maravilhosa, não é? Tão querida, a deixar-nos ficar com a ilusão de que nos importaríamos. ;)

Thunder, feel the thunder
Lightning and the thunder, thunder
Thunder, feel the thunder.

É a música que eu estou a ouvir. Sim, bem sei, é terrivelmente popular, mas também é fantástica! E quem poderia resistir a uma banda com um nome tão apelativo como Imagine Dragons? Hmm, o vídeo até tem uma mulher com língua bífida… que é um daqueles sonhos impossíveis, da infância de todas as menininhas, certo? :)

Acredita ou não, quando pensei em escrever qualquer coisinha, aqui, tinha em mente escrever sobre a admiração que o Fellini dizia ter, pelas pessoas que falhavam e persistiam. Sei lá, pareceu-me um bom tema, positivo e tal… Mas distraí-me e o meu tempo esgotou-se.

O que está de acordo com outra das grandes lições dele: princípio e fim.

Não existe fim, não existe princípio, existe apenas a paixão da vida.

Eu gostaria de acrescentar que essa paixão pela vida é inesgotável, renovada a cada amanhecer.

That’s all! :)

25 de Julho de 2018.

segunda-feira, julho 09, 2018

Muitas questões sem resposta, nenhuma resposta inquestionável.

Cada vez tenho mais questões e menos respostas. Será do tempo?...

Que tempo é este? Para onde foi o verão, afinal?...

Sinto-me num daqueles dias em que me apetece pegar em dois revólveres, esquecer o velho faroeste e começar a minha tarde já com uma fuga para a Bolívia. Butch Cassidy e Sundance Kid, lembram-se? :)

Ou entrar no universo do meu adorado Fafhrd e ficar por lá durante os próximos 3 dias. ;)

Hmm… westerns ou aventuras de capa e espada, só estou a escolher percursos irremediavelmente condenados ao fracasso. Deveria questionar isso também?

Bem, o melhor é acalmar. Bem vistas as coisas, não há problema nenhum em não ter respostas para umas quantas questões. Desde que não tenha respostas inquestionáveis, creio que ainda está tudo bem. ;)

2 de Julho de 2018.


Apenas um post fofinho

Em vez de me concentrar no jogo de futebol, dei comigo a pensar em unicórnios. Como pode ser isso?...

«O unicórnio é um pequeno animal, semelhante ao cabrito, mas ferocíssimo. O caçador não pode aproximar-se dele por causa da sua força extraordinária. Tem um só corno no meio da cabeça.» Do Fisiólogo (sécs. II-III)

O imaginário do unicórnio, promovido pela Disney, é bem mais interessante. Contudo, ao aumentarem-lhe o tamanho, retiraram-nos a idílica imagem do pequeno unicórnio a saltar para o colo da donzela. «Expõem uma virgem imaculada, o animal salta para o seu colo e ela aleija-o», isto é, fere-o mortalmente.

E pronto, era isso.

Agora vou procurar uma imagem de um unicórnio, porque eu gosto de posts fofinhos...

8 de Novembro de 2015.


Batata, ovo e café

Hoje dei comigo a pensar num post da semana passada, que apareceu no meu facebooke, por vontade de um americano qualquer, que eu não faço ideia de quem seja. E decidi que está mais do que na hora de eu ser pó, mais especificamente pó de café. Não, não estou confundida. É isso mesmo que eu quero dizer. ;)

Chegados aqui, impõem-se uma perguntinha… Imagina que as pessoas se dividiam em três categorias: batata, ovo e café. Qual querias ser? :D

Bem, eu tenho consciência que tenho sido sobretudo ovo, mas isso acabou. Agora quero ser café! Queres que te diga as minhas razões ou isto está a ser tão aborrecido que não vale mesmo a pena… Hmm, posso sempre falar do tempo. Ou de gatinhos fofinhos. Ou de qualquer coisa doce.

Ok. Bombons, então. Este calor estival impede-me de apreciar devidamente o meu bombom favorito, que é bem melhor no tempo frio. Mon cheri, da Ferrero. Sei lá, gosto da suavidade do chocolate e, sobretudo, da explosão do licor na minha boca. Hmm… acredita, eu poderia continuar a falar disto durante mais alguns parágrafos, mas não o vou fazer. Vou deixar-me de superficialidades e voltar aos testes do face, que proliferam por todo o lado como cogumelos. Só é pena que não sejam igualmente perigosos, não? :P

Batata, ovo e café, lembras-te?

Bem, aceitemos a premissa de que as pessoas só se conhecem verdadeiramente na adversidade. Na nossa analogia, a adversidade será simulada, mergulhando aqueles ingredientes em água a ferver, cada um em seu recipiente e deixando-os lá cerca de meia hora.

A Batata dura e resistente, simplesmente não aguenta a adversidade e fica feita em papa, sem ser capaz de mudar o que está à sua volta. O ovo, por sua vez, aguenta melhor as condições difíceis, mas o seu interior endurece e também não consegue mudar o que está à sua volta. Por fim, o café envolve-se nas condições adversas e ele próprio pouco muda, mas transforma completamente tudo o que está à sua volta.

Pronto, era isso. Lamento se este post foi confuso. Acabei. :)

21 de Julho de 2017.

Bem, não tenho nenhuma foto com batata, ovo e café. Mas fiz um bolo de chocolate. Serve? ;)


terça-feira, outubro 02, 2007

Se não foste amado, foi porque não tinhas que ser...

Ontem recebi sms de um amigo, onde se interrogava: “porque é que só importa o amor?” Claro que entendi que a questão se referia ao enamoramento. O enamoramento, o amor paixão, não é ainda o caminho do amor... mas, se pensarmos no amor de um modo abrangente, nas suas inúmeras manifestações, que mais haveria de importar para além do amor?...

“Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e as dos anjos, se não tivesse amor, seria como sino ruidoso ou como címbalo estridente.
Ainda que tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência; ainda que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse amor, nada seria.
Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos, ainda que entregasse o meu corpo às chamas, se não tivesse amor, nada disso me adiantaria.”

“O amor é paciente, o amor é prestativo. Não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”

O amor é o caminho, porque “O amor jamais passará".

"As profecias desaparecerão, as linguas cessarão, a ciência também desaparecerá. Pois o nosso conhecimento é limitado; limitada é também a nossa profecia. Mas, quando vier a perfeição, desaparecerá o que é limitado.”

O amor paixão é limitado, mas o amor como caminho é ilimitado, é a perfeição. O importante não é ser amado... importante é fazer do amor, sobretudo do amor compaixão, destino!

“Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Depois que me tornei adulto, deixei o que era próprio de criança.”

À criança foi dito: ama o próximo como a ti mesmo. E só na idade adulta surgiu a confusão e a constatação de que nunca lhe tinham ensinado a amar-se a si mesmo...

“Agora vemos como em espelho e de maneira confusa; mas depois veremos face a face. Agora o meu conhecimento é limitado, mas depois conhecerei como sou conhecido.

Agora, portanto, permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor. A maior delas, porém, é o amor.”

Eu acredito verdadeiramente no caminho do amor. E acredito também que, cada vez que nos afastamos do amor, estamos a contrair-nos, a involuir e a desaparecer...

Nota: Os excertos são da Primeira Carta de S. Paulo aos Coríntios

segunda-feira, agosto 27, 2007

Procura os teus caminhos...

“Abre todas as janelas que encontrares e as portas também. Persegue um sonho, mas não o deixes viver sozinho. Alimenta a tua alma com amor, cura as tuas feridas com carinho. Descobre-te todos os dias, deixa-te levar pelas vontades, mas não enlouqueças por elas. Procura, sempre, procura o fim de uma história, seja ela qual for. Dá um sorriso para quem se esqueceu como se faz. Acelera os teus pensamentos, mas não permitas que eles te consumam. Olha para o lado, alguém precisa de ti. Mergulha de cabeça nos teus desejos. Procura os teus caminhos, mas não magoes ninguém nessa procura. Arrepende-te, volta atrás, pede perdão! Não te acostumes com o que não te faz feliz, revolta-te quando julgares necessário. Alaga o teu coração de esperanças, mas não deixes que ele se afogue nelas. Se achares que precisas voltar, volta! Se perceberes que precisas seguir, segue! Se estiver tudo errado, começa novamente. Se estiver tudo certo, continua. Se sentires saudades, mata-as. Se perderes um amor, não te percas! Se o achares, segura-o!”

Mandaram-me este texto por email. Supostamente seria da autoria de Fernando Pessoa... hum, um bocadinho estranho para Fernando Pessoa. Bem, seja de quem for, é muito interessante. :)

quarta-feira, abril 18, 2007

Hoje não acordei...

... pela simples razão de não ter dormido. Há 3 dias/noites que ando com insónias. Depois, durante o dia não me sinto realmente desperta. Até os meus pensamentos têm o seu quê de sonâmbulos. Hum... sinto uma estranha e invulgar tendência para pensamentos hardcore. :) Na verdade, há que dizê-lo, não se traduzem em vontade real. Sei lá. Diz que é uma espécie de curto-circuito mental que induz uma predisposição para imagens hardcore banaizinhas de tão inconsequentes. Bah!

Mudemos de assunto. Ou não. Tanto faz. Continuemos então com a estranheza. Hoje, perdida no meu absoluto torpor mental, reparei que no café, onde vou todos os dias da semana pela hora de almoço, havia uma pequenina árvore de Natal, no meio de uma prateleira, entre chicletes e chocolates. Questão: estará lá desde o Natal?... E só hoje é que reparei? Bem, que é que eu posso dizer? É claro que isto me chateia. Porque sim! A merda da minúscula arvorzinha de Natal tornou-se, de repente, importante. Sei bem que, a partir de hoje, todos os dias a procurarei mal entre no café. Como se aquele berloque da loja dos trezentos tivesse importância. Porquê!? Só porque ainda lá está, fora de tempo? E quem sou eu para definir o tempo de validade de uma árvore de natal? Sou alguma espécie de entidade reguladora? Bah!

Concordo: devia estar a dormir!!! Sniff, sniff, sniff...

Hum... Natal, não era? Bem, no Natal passado mudei a mensagem de "Bom Natal e Próspero Ano Novo" e atrevi-me a enviar para a habitual lista de sms o seguinte: "Bom Diz Que É Uma Espécie De Solstício!". Recebi uma resposta. Uma. Só uma! E não pude deixar de pensar que a culpa era dos Gato Fedorento! :) Saberão eles que por sua causa fiquei privada dos tradicionais votos de Bom Natal? E importar-se-ão?... Hum... Acho que é melhor ir beber outro café.

terça-feira, março 13, 2007

Fazer a vida acontecer e ser feliz

Há algum tempo, uma amiga disse-me que ainda haveria de me dizer: "olha para mim, cresci, fiz a vida acontecer e estou feliz".

Parece-me, contudo, que para fazermos a vida acontecer e sermos felizes, não será necessário crescer... pelo contrário, acho que precisamos voltar à infância e resgatar, em primeiro lugar, a capacidade de viver cada instante por si só. À medida que crescemos tendemos a preocupar-nos com o futuro e a pensar sistematicamente no passado... e no meio disso tudo, naturalmente esquecemo-nos do presente. Esquecemo-nos de ser felizes agora. E sermos felizes agora, no instante presente, só depende de nós. Podemos escolher ser felizes neste momento, neste pequeno instante, qualquer que tenha sido o passado e qualquer que seja o futuro.

Nos últimos tempos, eu tento conscientemente viver o agora. E tenho reparado que desse modo sou realmente muito mais feliz, até porque fico feliz com pequenas coisas nas quais antes nem sequer reparava. :)

Viver cada instante por si só, sem preocupações com o futuro, que não existe ainda, sem pensar no passado, que já não existe... é absolutamente libertador!

Creio que temos também que resgatar da infância a fé e a inocência perdidas. Chamar as coisas que ainda não são como se já fossem... ;)

Para voltar a acreditar com a fé inabalável das crianças não é preciso aprender nada novo... mas, talvez seja preciso desaprender algumas das convicções que fomos adquirindo ao longo da vida e que, acima de tudo, nos limitam.

Muitas vezes pensamos que se acreditarmos na beleza da vida acabamos desiludidos, temos medo de sofrer... e esquecemo-nos que, mesmo temendo tudo e fechados na nossa concha, podemos sofrer de milhares de modos diferentes. Citando Calvin & Hobbes: "uma das coisas fantásticas da vida é que nunca nada está tão mal que não possa ficar pior". :P

Mas também pode melhorar! :)

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Mito de Sísifo

Camus disse que era preciso imaginar o Sísifo feliz – actualmente eu não consigo conceber um Sísifo que não seja feliz. Sim, mesmo carregando a rocha montanha acima, mesmo sabendo que a rocha chegará ao topo do monte e necessariamente rolará atá lá baixo e tudo recomeçará de novo... não vejo a inutilidade de outrora. Pelo contrário, vejo instantes profundamente significativos... vejo a pausa reconfortante, o olhar que se deslumbra com a beleza da montanha, os olhos que se fecham suavemente sob o sol intenso. Será preciso algo mais?...

Sisyphus, by Titian.