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quarta-feira, novembro 24, 2021

Swing

Dentro de cada um de nós existe um swing próprio, autêntico. Algo com que nascemos, que é só nosso, que não se pode ensinar ou aprender. Algo que não podemos esquecer. Mas ao longo do tempo, o mundo pode privar-nos desse swing. Fica enterrado dentro de nós, sob o peso das desculpas que arranjamos para o que devíamos ter feito. Algumas pessoas até se esquecem de como era o seu swing...»

Somos condicionados, desde crianças, a pensar que há um caminho para a felicidade, de tal modo que nos habituamos a ver a felicidade como algo que irá acontecer no futuro, quando várias premissas se concretizarem. 

Na verdade, não há nenhum caminho que nos conduza à felicidade, porque a felicidade é que é o caminho.

Contudo, para entrar nesse caminho, precisamos do nosso swing... e, por mais que eu esteja a ser repetitiva, irei continuar a dizer isto. Faço-o, em parte, para me ensinar a mim própria. Também eu preciso de reencontrar o meu swing e dançar nas clareiras ao luar.

:)

Termino com esta pintura mágica: Le villi, 1906, de Bartolomeo Giuliano.



sexta-feira, setembro 25, 2020

Uma rapariga à janela

Não basta abrir a janela 

Para ver os campos e o rio. 

Não é bastante não ser cego 

Para ver as árvores e as flores. 

É preciso também não ter filosofia nenhuma. 

Com filosofia não há árvores: há ideias apenas. 

Há só cada um de nós, como uma cave. 

Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora; 

E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse, 

Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.


Alberto Caeiro


Hoje, o facebook de uma amiga trouxe este velho poema. Bem, na minha vivência da espiritualidade, este poema de Pessoa reflecte uma das minhas ideias principais: a noção de que o sujeito que vê e o acto de ver não são a mesma coisa. Esta noção leva-me à procura de uma representação do mundo, onde eu não detenho o foco central, mas sim o mundo em si mesmo. Contudo, a nossa visão do mundo e sua consequente representação, com o foco no sujeito, em quem vê, mesmo sendo um conceito moderno, está demasiado entranhada e não é nada fácil libertarmo-nos dela. 

Bem, para terminar, deixo uma janela para um mundo antigo, através da fantástica banda Sangre Cavallum e deste maravilhoso álbum Veleno de Teixo. E ainda uma rapariga à janela, de Salvador Dalí.



quarta-feira, junho 24, 2020

Cariatide tombee portant sa pierre, de Rodin.

Um post do face, de rochas numa praia em África, levou-me a pensar numa conhecida escultura: Cariatide tombee portant sa pierre, de Rodin.

Rodin fez mais do que uma Cariátide caída...  Para quem não se lembra, Cariátide é o nome dado à figura de uma mulher, tipo coluna, que era usada como poste de sustentação da parte de cima de um edifício, na Grécia antiga.

O nome vêm de outras Cariátides, raparigas que dançavam para a deusa Artemis e que, nas suas danças circulares, carregavam na cabeça cestos com juncos.

Admito que tudo isto me agrada. Gosto da sonoridade da própria palavra, gosto da ideia da dança em círculos, com plantas a sair das  cabeças das jovens, e gosto da arquitectura grega. Naturalmente, também gosto da escultura de Rodin, com a bela Cariátide abraçando-se a si própria, ao mesmo tempo que o peso da pedra que carrega a derruba e a destrói. Há imensa beleza e compaixão, que me emociona. :)

Braga, 22 de junho de 2020.

sábado, novembro 23, 2019

Vitória da Samotrácia

Eu adoro esta estátua. A maravilhosa e alada Vitória da Samotrácia faz parte de mim, há muito tempo. Já fazia parte de mim quando adolescente vi, pela primeira vez, o pôr do sol sobre o mar. Talvez pela forma de proa de embarcação da sua base, ligada às suas magníficas asas, talvez por outras razões que não identifico, a verdade é que facilmente a imaginei lá, nesse momento em que o céu se liga ao mar. Depois, bem, depois imaginá-la lá nesse instante e nesse lugar onde o sol desaparece no horizonte do mar, tornou-se quase tradição, para a minha mente estranha e absurda. :)

Hmm, eu sei bem que aquilo que amamos, amamos a sós... e daí? ;)


quinta-feira, outubro 24, 2019

Voar...

Sim, bem sei, só os pássaros com a mesma plumagem voam juntos, mas isso não quer dizer que tu voas sozinho. Na verdade, tu nunca estás sozinho, pois aqueles que amaste ou que amas estão sempre, sempre contigo.

Por favor, não te esqueças, mesmo se uma das coisas que te põe triste é que não exista o que não existe, como dizia o poeta… mesmo nesses momentos, não te esqueças que quem não ri e não voa contigo, não é teu amigo!

Metal Migration, by Michelle McKinney.


sexta-feira, março 29, 2019

Ver como se fosse a primeira vez...

A nossa visão é limitada, da mesma forma que é limitado o modo como vemos o mundo.

Na minha humilde opinião, o que nos afasta de toda essa limitação é a vontade e a determinação em ver as coisas, continuamente, como se fosse a primeira vez que as vemos.


quarta-feira, setembro 26, 2018

Bolero, de Ravel

Ando com insónias. :(

Talvez o Bolero, de Ravel, me ajude a adormecer.

Hmm, como alguém diz nos comentários deste vídeo:

«You can't compose a song that has the same melody playing for over fifteen minutes and make it sound good.»
Maurice Ravel: Hold my beer.

:P

Esta música é incrível, faz-me pensar em tudo o que é eterno e infinito. :)

Zbigniew Rybczynski, um cineasta russo, fez um filme - The Orchestra, 1990 - baseado nesta música, onde coloca as personagens a subirem ao céu, através de uma escada sem fim.

Por acaso, as personagens são os protagonistas da revolução soviética, que ascendem ao céu, quais anjos e querubins. ;)

É tudo, deixo-te com esse belo pensamento e esta música maravilhosa, agora vou dormir. :)

Link: Maurice Ravel - Bolero

terça-feira, setembro 25, 2018

An Art Made of Trust, Vulnerability and Connection, by Marina Abramović

Hoje, deixo aqui um vídeo de uma artista extraordinária, que nos tira da nossa zona de conforto e que abre a nossa mente a novas possibilidades.

Marina Abramović tem mais de 70 anos e é considerada a avó da arte performativa.

Vamos, então, ouvi-la na sua própria voz.